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Os primeiros movimentos de tecnologia em 2026:

Agentes compram, a Siri escolhe um lado e a IA passa a ser regulada por padrão


Duas semanas dentro de 2026, o sinal já está claro: a era da IA deixou de ser sobre modelos impressionantes e passou a ser sobre onde a inteligência artificial está embutida, quem controla a distribuição e quais sistemas conseguem operar dentro de ambientes regulados.


Esta edição do Weekly Tech Drop foca exclusivamente em movimentos reais e confirmados que importam para quem constrói produtos, opera negócios, lidera marketing ou desenha automações. Não é sobre hype. É sobre o que já começou a mudar o jogo neste início de ano.


1. A próxima mente da Siri: Apple e Google fecham acordo com o Gemini

Apple e Google anunciaram uma parceria de longo prazo para integrar os modelos Gemini, do Google, a uma nova geração da Siri, prevista para chegar ainda em 2026. Isso vai muito além de uma atualização de produto. É uma declaração estratégica sobre quem passa a ser a camada padrão de inteligência dentro do ecossistema Apple.

Para empresas, o recado é direto: a distribuição da IA será vencida por quem estiver no lugar padrão, não apenas por quem tiver o melhor modelo. Assistentes tendem a se tornar a principal interface para busca, compras e suporte.


Two men in suits sit at a table with microphones and papers. Green floral arrangement in foreground. Neutral expressions. Indoor setting.
Google's CEO Sundar Pichai and Apple's CEO Tim Cook

Por que isso importa

Se assistentes virarem a porta de entrada para decisões e transações, marcas vão competir por visibilidade dentro das respostas da IA, não apenas em sites ou anúncios tradicionais.


2. A onda do “comércio agentic” acelera rapidamente

Um dos padrões mais claros dessas duas semanas foi a transição da IA de recomendação para execução de transações.

O Google começou a liberar funcionalidades de agentic commerce dentro da Busca e do Gemini, permitindo que usuários completem compras sem sair do ambiente da IA. Em paralelo, Microsoft e PayPal lançaram o Copilot Checkout, que viabiliza compras diretamente dentro do Copilot.

Isso marca uma mudança profunda na experiência de e-commerce: menos abas, menos etapas, mais automação.


Por que isso importa

Para marketing e growth, funis e atribuição vão mudar. Para produto, fica claro que a interface passa a ser o agente, e o agente passa a controlar a jornada.


3. O WhatsApp vira campo de batalha para assistentes de IA

A decisão da Meta de restringir o uso de chatbots de IA concorrentes no WhatsApp gerou reação imediata de reguladores. A Itália pressionou e a Meta recuou no país. No Brasil, autoridades ordenaram a suspensão da política que proíbe chatbots de terceiros na plataforma.

Essa história é maior do que mensageria. Trata-se de controle de distribuição de IA em plataformas dominantes.

Por que isso importaSe aplicativos de mensagens se tornarem a principal interface para IA (suporte, vendas, automação pessoal), quem controla quem pode “rodar” ali passa a ter enorme poder de mercado.


4. A OpenAI aprofunda sua presença em fluxos de saúde

A OpenAI lançou o ChatGPT Health, uma experiência dedicada a casos de uso em saúde e bem-estar. Poucos dias depois, anunciou a aquisição da Torch, uma startup focada em otimizar fluxos de informação médica.

O movimento é consistente: monetizar IA ao se integrar a fluxos de trabalho críticos e recorrentes, e não apenas como chat genérico.


Por que isso importa

A saúde funciona como um modelo do que acontecerá em outros setores regulados, como finanças, seguros e jurídico: produtos especializados, foco em privacidade e integração direta ao dia a dia operacional.


5. Infraestrutura de IA deixa claro que chips são geopolítica

A Nvidia veio a público esclarecer que não exige pagamento antecipado para chips H200, após especulações relacionadas a vendas, clientes chineses e riscos regulatórios. O ponto central não é o prazo de pagamento, mas o contexto: cadeias de suprimento de computação estão diretamente ligadas à política internacional.


Por que isso importa

À medida que cargas de IA crescem, empresas precisarão tratar computação como estratégia: planejamento de capacidade, orçamento e gestão de risco, não apenas custo de nuvem.


6. Microsoft compra a Osmos e acelera automação da engenharia de dados

A Microsoft anunciou a aquisição da Osmos para acelerar a chamada “engenharia de dados autônoma” dentro do Microsoft Fabric. É um movimento típico de 2026: menos IA como camada extra, mais IA automatizando o encanamento invisível dos sistemas.


Por que isso importa

A maioria dos projetos de IA falha na camada de dados. Automatizar pipelines, limpeza e orquestração é onde está o maior ganho real.


7. Computação quântica faz um movimento relevante logo no início do ano

A D-Wave anunciou um acordo para adquirir a Quantum Circuits em uma operação avaliada em cerca de US$ 550 milhões, expandindo sua atuação além do modelo de annealing para sistemas quânticos baseados em portas lógicas.

Ainda não é algo imediato para a maioria das empresas, mas mostra que o setor já se posiciona para roadmaps comerciais de computação quântica nesta década.


Por que isso importa

Mesmo que o impacto direto não seja em 2026, o ritmo de inovação em computação afeta, no médio prazo, a economia da IA, segurança e criptografia.


8. Ferramentas para desenvolvedores evoluem além do “chat para código”

O Google apresentou o Conductor, uma extensão experimental para o Gemini CLI focada em manter contexto persistente de projetos e reduzir o caos de prompts isolados. É uma evolução importante: menos chat, mais fluxos estruturados e repetíveis.


Por que isso importa

Produtividade com IA está se tornando disciplina de engenharia. Fluxos baseados em contexto, especificações e persistência tendem a se tornar padrão em times sérios.


What these two weeks say about 2026

A primeira quinzena do ano não trouxe fogos de artifício. Trouxe direção. E a direção é clara:

  • A IA está sendo incorporada às interfaces padrão, como assistentes, mensagens e comércio

  • Agentes estão evoluindo do “me ajude” para o “faça por mim”

  • A regulação já influencia decisões de produto em tempo real

  • A camada de dados virou o principal alvo da automação

  • Estratégia de computação e geopolítica estão cada vez mais conectadas


Este é exatamente o tipo de ano em que apenas “usar IA” não será suficiente. A vantagem competitiva virá do design de sistemas: integrar agentes, dados e automação em fluxos de trabalho que realmente operam no mundo real.


References (all sources)

  1. Reuters — Apple and Google AI deal to integrate Gemini into Siri

  2. The Register — Google rolls out agentic commerce in Search and Gemini

  3. Windows Central — Microsoft + PayPal launch Copilot Checkout

  4. Reuters — Meta to exclude Italy from rival chatbot ban on WhatsApp

  5. TechCrunch — Brazil orders Meta to suspend policy banning third-party AI chatbots from WhatsApp

  6. OpenAI — Introducing ChatGPT Health

  7. Axios — OpenAI acquires health tech company Torch

  8. Reuters — Nvidia clarifies H200 payment terms / no upfront payment requirement

  9. Microsoft Blog — Microsoft acquires Osmos for autonomous data engineering in Fabric

  10. Business Wire — D-Wave agreement to acquire Quantum Circuits

  11. InfoQ — Google introduces Conductor for Gemini CLI

 
 
 

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